quinta-feira, 29/10/2026

Câncer gástrico: uma condição frequentemente assintomática e suas implicações para o diagnóstico precoce

No contexto da saúde pública, eventos específicos voltados para a terceira idade são raros, especialmente fora do campo da geriatria. Assim, o 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa (Gastro 70+),…

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No contexto da saúde pública, eventos específicos voltados para a terceira idade são raros, especialmente fora do campo da geriatria. Assim, o 1º Congresso Brasileiro sobre a Saúde Digestiva da Pessoa Idosa (Gastro 70+), que ocorrerá em São Paulo no final deste mês, se destaca como uma iniciativa necessária e oportuna. Com o aumento da expectativa de vida, a sociedade enfrenta um desafio crescente: a incidência de doenças graves, como o câncer gástrico, que atualmente registra entre 20 mil e 25 mil novos casos anualmente no Brasil, e cuja projeção para 2050 supera os 40 mil casos.

Conversei com o gastroenterologista Luiz Gonzaga Vaz Coelho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e um dos pioneiros na pesquisa sobre a bactéria Helicobacter pylori, um dos principais responsáveis por essa enfermidade. O especialista destaca que a infecção por H. pylori é geralmente adquirida na infância e permanece assintomática ao longo da vida, levando a uma inflamação silenciosa que pode culminar em câncer gástrico na idade avançada.

Coelho explica que a detecção precoce da H. pylori é um desafio, pois a maioria dos infectados não apresenta sintomas visíveis. A Organização Mundial da Saúde classifica essa bactéria como um carcinógeno do Grupo 1, a mesma categoria de substâncias como tabaco e amianto. Em países como Japão e Coreia, onde as taxas de câncer de estômago são alarmantes, políticas públicas de saúde têm se voltado para o rastreio dessa bactéria, evidenciando a importância de um diagnóstico precoce.

Embora o tratamento inicial seja relativamente simples, com o uso de antibióticos, a falta de sintomas dificulta o diagnóstico. O professor ressalta que a endoscopia é um método eficaz para detecção, mas requer cuidados especiais em pacientes acima de 70 anos. Avaliar a saúde geral do paciente é fundamental para garantir que os benefícios do procedimento superem os riscos.

A Federação Brasileira de Gastroenterologia lançou a campanha Setembro Rubi, com o intuito de aumentar a conscientização sobre o câncer gástrico e desenvolver estratégias voltadas para grupos de risco, como familiares de portadores da doença. A proposta é que esses indivíduos realizem testes não invasivos até os 30 anos e, se necessário, sejam tratados precocemente.

Embora a dieta, especialmente o consumo excessivo de sal, tenha sido considerada um fator de risco isolado no passado, a presença da H. pylori potencializa significativamente esse risco. Outros fatores, como o tabagismo, também contribuem para o aumento das chances de desenvolver a doença, que muitas vezes se manifesta tardiamente, com sintomas como dor persistente no estômago e emagrecimento.

O Gastro 70+ ocorrerá nos dias 30 e 31 de outubro, no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe). O evento promete ser um marco na discussão sobre a saúde digestiva dos idosos, abordando questões essenciais para a prevenção e o tratamento de condições que afetam essa faixa etária.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — analogicus (pixabay)